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Blog de Cantilenas


Rio de Janeiro: Teatro de várias vidas.

A diversidade ao olhar o lugar animou desde a curva sob a Ilha de Guanabara. Sem qualquer fala, o afago vindo d'uns braços concretos foi naquele instante um convite a descoberta de um novo animo. Cada passo dado alimentava o vazio que vinha junto com aquele frio arrepiador, refrigerando vidas. De repente o olhar atrevido. Num repente a boca sedenta por palavras, que nunca chegavam, pois trazia sempre sua limitação sem significados suficientes sobre a sensação de aconchego que permanecia naquela alma, já satisfeita de estar em silêncio. O corpo exaurindo a indefesa beleza acanhada. Distribuindo olhares: curiosos, nervosos, sinceros, dum tanto melancólicos. Paisagens bucólicas apreciadas ao poucos, num breve retorno entre as fotos de um antes. Encontrando-se com o depois agora. Agora? Agora é saudosismo dedilhado em bossa nova, um conflito soletrado pelo samba, uma intransigência abalada pelo rap carioca. É o embalo rolado ladeiras acima ou abaixo. É a vida vivida sem ser molestada. É puro deleito. Apreciando, sentir-se em si naqueles arcos. Relevo de vidas, fluídos aromáticos com especiarias cosmopolitas. É uma poesia que nasce aos olhos e se eterniza na dinâmica fiel do olhar e sentir... Há delicata singular, que nos envolve em corpo e espírito. Generalidade diversa, determina e muita vezes descrimina. Ponte para o ir e vir do mundo. "O Rio de Janeiro continua lindo"... Palco libertino.



Escrito por Cantilenas às 14h43
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"Pairando pelo ar com certo traço de [in] tranqüilidade.
Variando sensivelmente de humor, perdi-me em inquietações tão permanentes.
Houve um silêncio profundo.
Um olhar despretensiosamente perdido e curioso.
Talvez estivesse à procura, ou simplesmente não quisesse encontrar com nada que violentasse um espírito livre...
Passaram-se alguns dias e noites ouvindo vozes vazias, que nada diziam.
Velando emoções perdidas lhe trouxe em sorrisos numa memória saudosa...
Houve então uma eternidade serena, afável, melancolicamente aconchegante...
Era a faísca de uma brasa que me acordava."



Escrito por Cantilenas às 21h10
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A sutileza das palavras reavivando o equilíbrio entre flores de um mesmo jardim...

Encantadoras palavras de carinho!

Gracias...

Volto a mencionar um sussurro cá entre nós: "... amiga, amante, companheira, um prisma de segredos e voluptuosas verdades mantidas entre um nós!"

(Re)criando sempre trovas, liras e versos para nosso acalanto!

Vagando entre norte e sul, pra lá ou pra cá, não importa! Sabemos sempre onde nos encontrar...limites não há!

A saudade é descoberta no breve espaço entre o raiar e o pousar! Infinitamente, incessantemente, rotineiramente, prazerosamente!



Escrito por Cantilenas às 21h09
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Sem dúvida a saudade é execício constante, principalmente dos desabafos tão sinceros e dos momentos de reflexão tão puros... fazem valer a pena quando penso na palavra amizade...toma forma e ganha força, brilho e vigor pelo quantos momentos que desfrutamos tão bem como fizemos sempre...

ou minha amiga!

que saudade das cervejas partilhas, componente básico de nossa fórmula mágica!

abracemos os novos tempus e tudo que virá junto dele... sejamos felizes e afoitas pra tudo!

Escrito por Cantilenas às 21h09
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Abro a janela e vejo flores, canto e danço em ritmo desconcertante de longe enxergo o brilho das estrelas em tons de neom...

Tristeza nunca mais, é o sinônimo de alegria absoluta que enxergo no céu e decifro em prosa confidentes a sútil moça de olhar incandescente que me entorperce com suas palavras, com seu tom de voz peculiar e seu desfilar...

Entre nós há muito mais a ser vivido, todos os dias nos lembramos de quem somos quando em memória triunfante nos vemos alegremente saltitantes...

Há... mas se ela voltar a me ver aqui estarei em completos 180º aguardando com braços abertos o momento para presenteá-la com o afago que guardei com carinho só pra esta doce donzela!

Muito mais que amiga, em eras passadas seria facilmente saudada por sua singular lealdade, digna de boa gente! Mulher de mil cores, feita e refeita em suas formas a cada primavera, não se trata de uma flor, ela é uma jardim inteiro de brilho intenso e absoluto!


Escrito por Cantilenas às 21h08
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Retrouvée: la personnalité de uma saudade

Assim calminha, delicada, meio a meio, é assim que ela vem.
Numa ritmia escandalosa, em intervalos inconstantes, é assim que ela vem.
Despretensiosa, cabida sensivelmente, é assim que ela vem.
Deslizando atrevida, insana e aflita, é assim que ela vem.
Engolindo minh’alma, revelando arrepios, é assim que ela vem.
Poderosa em minuta astúcia é assim que ela vem.
Aglutinando calores, calafrios e pudores... vem chegando, é assim que ela vem!


Escrito por Cantilenas às 21h07
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De tanto em tanto a vida acumula... Todo mundo fala de beleza. Uma beleza só sua, uma beleza [in] discreta, uma beleza sem proeza nenhuma... Falo de uma certeza. Essa que se afirma no laço que uni três vidas, descarta despedidas, sem criar medidas vai tecendo amores, carinhos, esquecendo mil pudores... De longe se enxergam as “três marias”, que de tão lindas e tão certas servem de guias pra almas espertas, por jamais perderem seu brilho e esplendor. Por se valer sempre de seu amor, da certeza e da plenitude convicta. Há rastros em todos os astros, mas firme lá... Só dá pra contar até três... Reluzindo discretas estão lá três poetas, entre a partida de crepúsculos e a chegada das auroras, buliçosas em seus movimentos sublimes... Delicadas, luminosas, por muitas vezes saudosas. Um suspiro suave, um olhar arredio, uma sombra de lágrima. Uma cognata Trilogia.



Escrito por Cantilenas às 21h05
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Faceira morena

 

Lua crescente

Alma descente

Deusa incandescente

 

Estrela luminosa

Boca saborosa

Dengosa preguiçosa

 

Filha de Afrodite

Imperatriz gloriosa

Travessia perigosa

 

Olhar envolvente

Leve

Suave

Entorpecente

 

Morena

Paraense

Fração

Norteriograndense

 

Ela morena

Morena lorena

Lorena morena

Ela Lorena

 

 

Cantilenas

 



Escrito por Cantilenas às 15h09
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Porto Alegre, 06 de fevereiro de 2008.

 

E sobre a felicidade?

 

Dizemos que a sentimos invariavelmente sempre que nos sentimos leves e, sobretudo fiéis ao sabor exótico de novas vontades.

Há dentro de nós uma primavera de cores e um outono de sabores que determinam nossos sentidos oferecendo abrigo ao aconchego descabido de um sorriso alegre.

Exaltamos rotineiramente a santos ou deuses, proclamamos e reverenciamos facilmente o saber cientifico, mas não temos sabedoria que nos faça descrever o que sentimos quando nos sentimos felizes.

Há quem sinta medo dela, bom até hoje não consigo entender porque sentir medo de algo tão bom. Sorrir sem controle é a pura liberdade do ser.

É sentir-se e compreender ao ser que também sente.

Ela pode ser comum de dois, ou de muitos, sabendo também sutilmente ser unívoca.

Estupenda, com ela não há “disface” nem em suas mil faces. Sobrevivendo de suas autenticidade e multiplicidade!

Dentro dela há uma aurora de cores envoltas de torpores inebriantes.

Ela carnal.

Ela banal.

Ela paixão.

Ela emoção.

Expressão dela.

Outrora clandestina, refém do acanhamento alado de quem não tem domínio sobre si tampouco das brisas suaves devotas da sua imensidão.

De aromas diversos em alegria se manifesta com seus sinais divinos.

Quando se vê perdida recorre às generosas cartografias recordadas em frações de segundo para dá um sinal ao riso crescente.

Em chamas ela triunfa em sinal de rainha da vida.

Presente, passado ou futuro ela sempre vai participar.

Na escuridão dos aflitos ela aparece encantadora dançando seu bale experimental, em tons claros e sorrisos escancarados.

Leva-te em embalos de riso ou prantos.

Faz-te perceber, beber e viver a vida.

Felicidades...

 

Cantilenas



Escrito por Cantilenas às 14h49
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Porto Alegre, novembro de 2007.

 

Noventa anos... Inacreditável pensar em tantos anos de vida! Quanta vida! Um exemplo que norteia minhas expectativas. Este é um homem cujo valor esta acumulado em moedas de sabedoria. A ele dedico minha sincera admiração e uma afeição contemplativa. Faltam-me as palavras para elucidar o sentido desta pessoa sobre minha vida. Felicita-lo é o mínimo, chega até ser insignificante.

Como ser clara sem parecer banal?!

Honrarias ao meu ancestral.

Raiz de oiticica, pele de camaleão que se molda as situações para sua preservação.

Os seus aprenderam, assim como eu, a respeitar os esforços que ele fez para chegar aos noventa cultivando, sem pretensão alguma, a humildade descabida que só reconheço nele.

Figura de estima!

Homem do alto oeste do sertão potiguar, que não tem em seus cabelos grisalhos a medida que identifique sua idade, isto porque estes simplesmente já não existem mais. Há apenas uma careca polida.

É o sabor de viver que sentimos ao vê-lo caminhar sereno, tranqüilo e calmo.

Ouvi-lo ainda é mais fascinante, pois há sempre boas palavras a dirigir sabiamente para cada um nós.

Seu nome é Zacarias, profeta ou não, no catolicismo ou no alcorão, é contemporâneo de meu tempo e (sobre)vive na várzea na cidade da Chapada e do Lajedo de Soledade. É só lá que irei encontrá-lo, pois é lá seu habitat natural.

Ele sim sabe falar, suas pertinentes palavras são emitidas sempre no momento certo.

Poliglota formado pelo alfabetizo do quinto ano fundamental. Com louvor se graduou na escola da vida e aos seus frutos deu a melhor das lições, a prática da vida!

Todos brotaram da terra seca. Talvez por isso permaneçam todos unidos em torno de suas raízes. E mesmo estando situada em um extremo, permito-me o arbítrio de ir até lá sem precisar sair. Basta me recompor em sua lembrança através das palavras que lhe envio por um postal em tons bastante graves, denotando um olhar perdido de quem senti saudade de seu avô! De quem se reconhece ao concebê-lo como um princípio fundamental que deu origem ao ser humano que sou hoje.

Vida longa ao meu ancestral!

Parabéns vovô!

Cantilenas



Escrito por Cantilenas às 12h24
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FloreSER

 

 

Ela matuta

Ela moderna

Ela mulher

Ela por ela

 

De um grito

Nascia o feitiço

Vindo de eras

Ela bela

 

Entre paralelas

Conformes melodias

Disformes versos

Resíduos oníricos

 

Suave flor

Nega prosa

Linda dengosa

Brasa incestuosa

 

 

Cantilenas

 



Escrito por Cantilenas às 18h09
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Gosto do gosto de

 

Café forte e amargo

Chocolate quente

Cerveja gelada e

Aguardente

 

Chinelo de dedos

Calças de brim

Vestidos de chita e

Empiduricalhos

 

Dançar coco

Samba

Forró e

Embolada

 

Ler crônicas

Ficar apaixonada!

 

Ervas

Mate ou Cannabis

 

Nem preto

Nem branco

Moulin Rouge vibrante

 

Besos calientes

Ardentes

Rimas confidentes

 

Olhar sem temer

Viver sem hesitar

Cantar quando a morte chegar...

 

 

Cantilenas



Escrito por Cantilenas às 17h38
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...em fase de confidências murmuradas com lábios levemente tocados do exílio do claustro!

 

Cantilenas



Escrito por Cantilenas às 09h30
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Dias em seguida...

Vida - a que me convidas?

aos becos sem saída,

às noites mal dormidas,

à esperança perdida,

ao dano dos inseticidas,

à brasília podrida,

à fé de n. s. aparecida,

às idéias traídas,

as poesias reunidas,

às migalhas do rei midas,

às verdades não vividas,

aos dias em seguida?

 

Vida - a que me condenas?

à retribuição das penas,

ao riso das hienas,

aos banqueiros da onzena,

ao assassino de viena,

à boa alma de mecenas,

ao remorso de madalena,

ao socorro da sirena,

ao torpor das cantilenas,

à calvície de melena,

ao destino das antenas,

a morrer apenas?

 

Régis Bonvicino (1955)

 

 

 



Escrito por Cantilenas às 23h50
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Um breve ensaio sobre os elementos centrais da organização social e do sistema de parentesco

Inicialmente Lévi-Strauss apresenta sua definição de família, designada como um grupo social que possui como características fundamentais sua origem no casamento, este constituído pela união entre um marido, uma esposa e seus filhos estando todos ligados pelos chamados laços legais. Além dos direitos e obrigações econômicas e/ ou religiosas, que na verdade é na maioria das vezes o que vai determinar a constituição de um casamento, visto que isso vai ocasionar uma espécie de alianças entre grupos. Essa definição apresentada pelo autor expõe aspectos que vão, dentro desta configuração, estabelecer o que para ele seria o tipo ideal de família, estruturando um modelo para ser utilizado em outras observações. Os laços familiares vão cuidadosamente definir a organização social. Sendo que, estes laços encontram sua origem nas necessidades econômicas e não sexuais, isso vai proporcionar a divisão do trabalho dentro da ordem social e cultural de cada grupo. Além disso, o autor apresenta a proibição do incesto como sendo a única norma universal que irá promover (a partir da idéia de que um indivíduo não podendo manter relações com seus parentes deverá procurar estabelecer essa relação com outros indivíduos pertencentes a outros grupos) as relações entre grupos distintos.

Por outro lado a organização social dos esquimós é o objeto de estudo de Marcel Mauss. O autor busca, através da morfologia social não só descrevê-la, sobretudo explicá-la e é neste sentido que temos como parâmetro nesse estudo as observações relacionadas aos fatores climáticos. Essa sociedade é organizada por meio dos assentamentos coletivos, que se apresentam duplamente, os de verão e os de inverno. Em virtude disso as relações organizativas baseadas na moral, nos valores religiosos e jurídicos, no clima e na formação do solo é que vão produzir e determinar a vida em conjunto, já que eles se agrupam nos chamados “sítios de inverno”, e acampamentos de verão. Nesses dois momentos as famílias estão sempre juntas. E suas ações e relações produzem vínculos mais estreitos e entrelaçados no período de inverno, no verão as relações são expressas mais individualmente. Toda a vida social dessa sociedade apresenta uma alternância de acordo com períodos de inverno e verão. Na religião isso se observa mais expressivamente em função deles realizarem suas atividades durante o inverno, pois no verão eles levam uma vida mais “profana”. A família é constituída por um homem, uma mulher (ou mulheres), filhos que podem ou não serem biológicos, ou outros indivíduos que podem ser parentes consangüíneos ou não, o caso das viúvas que não tornaram a casarem-se.

Por fim Evans-Pritchard em sua obra discorrera a fim de identificar a organização social dos Nuer, descrevendo como estes subsistem e suas organizações ou instituições políticas. As relações estabelecidas fundamentalmente estão centradas no sistema de parentesco, é ele quem irá determinar seu sistema político, que é relacionado às suas linhagens. Embora não sejam idênticos, esses dois grupos possuem uma ligação pois isso, a exemplo, denomina a área tribal e suas divisões que recebem o nome do clã e da linhagem que a ocupar inicialmente. A regra da exogamia quebra com a exclusividade de grupos agnatos (fundadores de origem masculina) e acaba forçando a criação de laços, através do casamento, com outros grupos de fora. È claro que temos aí uma questão econômica inserida. Além disso, a medida que comunidades pequenas se associam a aldeia maiores ocorrerá uma rede de laços de parentesco e esses indivíduos terão de procurar seus companheiros fora daquela aldeia.        

   



Escrito por Cantilenas às 20h51
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